Horacio, eu, Torben e sua esposa Andrea no dia da relargada em QingdaoOlá de novo!
Esquentando os motores para a Rio stopover, volto com mais um capítulo da saga do Ericsson Racing Team em Qingdao. Como dá para imaginar, a adaptação da equipe na China não foi fácil. Além do frio fora do comum – que forçou a equipe de terra a suspender a montagem das tendas, para se ter uma idéia – o idioma foi o principal obstáculo que encontramos.
Na tradicional reunião da equipe sobre as atividades da parada recebemos uma aulinha de cultura local. Chamou a atenção da tripulação o capítulo “Dos and Don’ts”, com dicas de comportamento. Aprendemos que na China não é apropriado falar em morte; dar relógios de presente também não – eles acham mórbido, uma espécie de contagem regressiva até a morte. Até aí tudo bem. Então veio o don’t mais curioso: na China não se pode usar chapéu verde! (Nesse momento eu pensei comigo mesma: “Não! Mil vezes não! O que vou fazer com o chapéu verde que carrego comigo para onde quer que eu vá?”). Reza a lenda que o chapéu verde indica que você foi traído. Desnecessário dizer que os tripulantes que não levaram esposas/namoradas ouviram essa piadinha pelo menos uma vez por dia...
No mesmo encontro aprendemos as palavrinhas mágicas Ni Hao (Oi), Xie Xie (Obrigada) etc. A essa altura já tínhamos percebido que a comunicação (a falta dela, na verdade) seria o maior problema da parada. Mesmo tendo recebido as Olimpíadas há tão pouco tempo, quase ninguém fala inglês por lá. E não rola aquele famoso “No Ínglish...”, eles desandam a falar mandarim como se você pudesse entender. O jeito era apelar para a mímica.
Foi então que Torben Grael iniciou o movimento “Fale a sua própia língua e faça gestos ao mesmo tempo”. Tudo começou enquanto assistíamos à semifinal do Australian Open – para quem não sabe, o comandante do Ericsson 4 é aficcionado por tênis – num pub ao lado do hotel. Turbina olha para o garçom, aponta para o copo, faz sinal de 1 com o indicador e simultaneamente diz “Amigão, mais uma, por favor”. Pedido prontamente atendido, para espanto dos presentes.
Nota mental: É necessário ser preciso nos sinais (sabe aqueles jogos de mímica de fim de churrasco, quando o nível etílico beira a estratosfera e as pessoas gritam ‘avião!!!’ enquanto você imita um sapo?). Decidi usar a tática Turbinesca na recepção do hotel para explicar que a água do chuveiro não esquentava, colocando a mão acima da cabeça para simular a água caindo e esfregando os braços naquele auto-abraço indicativo de frio. “Assim eles vão achar que tem um macaco no seu quarto...”, ponderou um engraçadinho do time (não sei se deu para visualizar, mas devo confessar que havia brecha para a interpretação). Resumindo: tive que puxar o gerente, ligar o chuveiro e colocar a mão dele embaixo da água. Que momento.
No próximo post, um desafio para quem acha que conhece a escalação do Ericsson 4 – ou “essa mania de brasileiro de dar apelido para todo mundo”
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Vamos ao que interessa: Ericsson 4 lidera a flotilha e se encontra agora a parcas 7.353 milhas náuticas do fim, com o Puma e o Ericsson 3 dos nórdicos fungando no cangote – ambos a apenas 11 milhas náuticas de distância!
Até mais!
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