quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Guerreiro tupiniquim - por Flávia Tavares

Olá pessoal!

Antes de mais nada, uma rápida apresentação em terceira pessoa, no melhor estilo Pelé: Flávia Tavares é uma jornalista carioca de 30 anos - 10 deles dedicados à cobertura de eventos esportivos - que desde 2007 faz parte do time de Media Relations do Ericsson Racing Team como press officer. Assessora de imprensa para os íntimos e não-íntimos em bom português.

Agora em primeiríssima pessoa, queria dizer que é um prazer começar a contar aqui algumas das histórias dos bastidores da participação da nossa equipe na Volvo Ocean Race 2008-09. Inicio hoje uma série de posts sobre a rica parada de Qingdao, que, como vocês podem imaginar, rendeu episódios curiosos, divertidos e alguns bizarros – estes poderão, ou não, ser devidamente censurados pelos editores! Enquanto nossos bravos velejadores a bordo do Ericsson 4 e Ericsson 3 se encaminham para o Rio de Janeiro eu divido com vocês o que rolou de melhor lá na China.

Começo, é claro, com a chegada da nossa equipe à aprazível sede da competição de vela dos Jogos Olímpicos de Pequim em 2008. Parênteses: aprazível é uma palavra que funcionava muito bem enquanto estávamos dentro do Media Centre, ou no lounge de almoço da equipe com seus dez aquecedores gigantescos a pleno vapor. Do lado de fora, chegamos a enfrentar 22 graus negativos, e aí a palavra mais usada era outra - essa eu mesma censurei.Voltando à chegada. Cerimônia belíssima, com um mar de gente batendo tambores para receber os barcos no píer, tripulações percorrendo uma reprodução da Muralha da China construída na Vila da Regata até chegar ao palco para a cerimônia do pódio. Eis que surge o primeiro momento interessante da parada chinesa da Volvo: todos os comandantes se vestiram de guerreiros chineses, num figurino que incluía uma capa, um capacete e outras cositas más. Temi pelo pior: depois de uma perna desgastante como a quarta etapa da Volvo, entre Cingapura e Qingdao, em que pela primeira vez na história da regata os barcos tiveram que literalmente estacionar em alto mar e esperar que a fúria da natureza diminuísse, não achei que os skippers fossem chegar no melhor dos humores para esse tipo de mis en scene.


O Ericsson 4 chegou em terceiro, como vocês sabem, e nosso Torben Grael foi levado ao palco para vestir a tal fantasia. Pois para minha surpresa o comandante A-DO-ROU o outfit e não tirou a capa em nenhum momento nas aproximadamente duas horas de entrevistas que se seguiram à cerimônia, levantando a suspeita de um possível complexo de super-herói e provocando muitas piadinhas dos outros dois brasileiros da equipe, Joca Signorini e Horácio Carabelli ("Batman, cadê o Robin???", e coisas do gênero). Brincadeiras a parte, a cerimônia fez com que Torben de cara se apaixonasse pela China - segundo Andréa, esposa do capitão, o país mexeu com ele de uma maneira especial. Muito natural, já que além da cultura milenar interessantíssima, os caras têm uma história de pioneirismo na navegação impressionante, ainda mais para um lobo do mar do naipe do nosso Torben.

Fico por aqui, mas no próximo post conto como foi a adaptação e a preparação da nossa equipe em Qingdao e como Torben Grael enfrentou o desafio de se comunicar com os chineses usando uma estratégia inovadora.

***

Antes de me despedir, vamos ao que interessa! Terminarei sempre com um update da nossa situação na regata:

O Ericsson 4 segue na liderança da flotilha na quinta etapa da Volvo, a "míseras" 10.506 milhas náuticas de distância da linha de chegada no Rio. O barco de Torben, Joca e Horácio é seguido de perto pelo Puma, que veleja 13 milhas náuticas atrás. E o barco-irmão Ericsson 3, comandado pelo figuraça Magnus Olsson (de quem certamente ainda falarei aqui), está em terceiro lugar, a 107 milhas náuticas de distância de Torben & cia.

Até a próxima!

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